Começarei pelo ensino fundamental, 6º ano (antiga 5ª série), sendo minha recordação mais antiga, além de única no ambiente escolar, enquanto aluna. Refere-se a uma colega de sala de aula com deficiência física e ao lembrar-me dela, tive como primeira imagem uma menina sentada num canto, sozinha, esperando terminarmos a aula de educação física. Também, algumas falas, inclusive de professoras(es), tais como: "ela é tão bonita, pena que é deficiente", "tão inteligente, uma pena...", "coitada", entre outras que expressam o sentimento de piedade e a ideia de inferioridade da pessoa com deficiência (sentimentos e ideias que também compartilhei por muitos anos).
Já no ensino médio, esperava todos os dias o ônibus para ir à escola. No ponto de ônibus, havia algumas crianças com deficiência que iam para a APAE (Associação de pais e amigos dos excepcionais) no mesmo horário. Gostava muito desse contato, apesar de breve, mas ainda matinha a concepção construída anteriormente.
Depois, fiz graduação e mestrado numa universidade federal e não me lembro de nenhuma pessoa com deficiência. Nenhuma! Algo para refletirmos... Além disso, apesar de ter feito um curso de licenciatura, em momento algum o tema inclusão foi abordado/discutido.
Quando comecei a trabalhar, numa escola particular, tinha uma amiga com deficiência e tenho muito a agradecê-la! Não apenas pela amizade, mas por ter e ajudado a iniciar o processo de desconstrução de algumas concepções e sentimentos referentes às pessoas com deficiência, entendendo que a deficiência está na sociedade, sendo limitações sociais.
Nesse semestre, depois de quase seis anos de IF, um aluno com deficiência visual ingressou no curso técnico em química. No momento não estou ministrando aula para a turma dele, mas tenho acompanhado o excelente trabalho que está sendo realizado, envolvendo várias pessoas. Certamente o conhecimento, a experiência e dedicação de uma professora do campus tem proporcionado muitos aprendizados e contribuído para a superação das barreiras existentes (físicas, atitudinais, pedagógicas...).
Por fim, acredito que a desconstrução de preconceitos e estereótipos (são tantos construídos ao longo da vida!) seja um processo lento e contínuo, uma luta diária e que a busca de informação, conhecimento e a reflexão contribuam para que a cada dia me reconstrua!
Olá, gostei muito do que postou!! Parabéns.
ResponderExcluirOi professora Ana Carla
ResponderExcluirParabéns por compartilhar suas experiências neste texto.
Este tal de preconceito que a sociedade impõe , e que nós impede de conhecer novas pessoas.
Sim, Dani! Por isso a importância de a cada dia buscarmos rompê-los! Além disso, como professoras temos o compromisso e a responsabilidade de buscarmos uma sociedade mais justa e igualitária.
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